Por que nem todo plantio de árvores é bom para o Cerrado?

Por que nem todo plantio de árvores é bom para o Cerrado?
Cerrado brasileiro (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

A preocupação com a preservação ambiental tem crescido, e a recuperação de áreas degradadas (RAD) por meio do plantio de árvores tornou-se uma prática comum. No entanto, essa ação exige cautela, especialmente em regiões onde as árvores não existiam originalmente, como savanas e o Cerrado.

Neste artigo, vamos discutir os cuidados e as consequências do plantio em áreas não nativas. Além disso, destacaremos a importância do trabalho de engenheiros florestais e agrônomos na execução dessas ações.

Savanas e Cerrado: ecossistemas únicos

Embora muitos vejam as savanas e o Cerrado como áreas “vazias” ou “degradadas”, esses biomas são complexos e ricos em biodiversidade. Eles possuem fauna e flora adaptadas a condições específicas de solo e clima.

  • Savanas: apresentam gramíneas, árvores espaçadas e arbustos. Sua vegetação regula o clima local, captura carbono e previne a erosão.
  • Cerrado: é a maior savana tropical do mundo, abrigando mais de 30.000 espécies de plantas e uma fauna única. Suas formações vegetais mantêm os recursos hídricos e preservam nascentes.

O perigo do plantio indiscriminado de árvores

Um estudo publicado em fevereiro de 2024, na revista Science, revelou que áreas do tamanho da França podem ser afetadas por iniciativas de plantio em locais onde as árvores não existiam naturalmente. Essa prática pode prejudicar a fauna adaptada a vegetações abertas e alterar o ciclo da água.

Os principais impactos negativos incluem:

  • Perda de habitat: espécies nativas de animais e plantas podem ser ameaçadas com a fragmentação ou extinção de seus habitats.
  • Alterações na hidrologia: o plantio pode afetar o fluxo de água, prejudicando nascentes e rios.
  • Competição por recursos: árvores introduzidas podem disputar água, luz solar e nutrientes com as espécies locais, causando seu declínio.

Diante disso, é essencial adotar métodos de restauração que respeitem a composição original dos biomas.

Atuação dos profissionais

Engenheiros florestais e agrônomos desempenham um papel essencial no planejamento e na execução do plantio de árvores. Seu trabalho é fundamental para garantir que essa prática traga benefícios reais, sem comprometer a biodiversidade ou os serviços ecossistêmicos.

Princípios para um plantio responsável

Para evitar impactos negativos, é essencial seguir alguns princípios:

  1. Escolha criteriosa de espécies: priorizar árvores nativas para preservar a biodiversidade.
  2. Diagnóstico ambiental: estudar o local antes do plantio, analisando clima, solo e hidrologia.
  3. Engajamento da comunidade: envolver moradores no processo, fortalecendo a responsabilidade coletiva.
  4. Monitoramento contínuo: acompanhar o desenvolvimento das árvores e ajustar estratégias conforme necessário.
  5. Pesquisa e inovação: manter-se atualizado sobre novas técnicas e estudos relacionados à restauração florestal.

Algumas áreas de pesquisa promissoras:

Os avanços científicos são fundamentais para aprimorar as práticas de plantio. Algumas áreas em crescimento incluem:

  • Desenvolvimento de espécies nativas para diferentes condições ambientais.
  • Aprimoramento de técnicas de manejo florestal para otimizar recursos e reduzir impactos.
  • Estudos sobre os efeitos do plantio em biomas distintos, analisando fauna, flora e hidrologia.
  • Uso de tecnologia para planejar e monitorar o reflorestamento, como geotecnologia e sensoriamento remoto.

A troca de experiências entre profissionais, instituições e comunidades é essencial para consolidar um plantio responsável e sustentável.

Para mais informações:

Caio Calassa

Engenheiro Florestal, formado pela UFG. Profissional de Marketing, pós-graduado em Marketing Estratégico Digital e estudante de Jornalismo. Utilizo dos meus conhecimentos na comunicação para levar informações dos setores florestal e ambiental ao maior número de pessoas (estudantes, profissionais e sociedade).